Que cidade é esta que nos corta as raízes sem piedade?
Que cidade é esta que acorda ao som de moto-serras?Que cidade é esta que mata as poucas árvores que ainda têm?
Que cidade é esta que continua a brotar betão e alcatrão?
Que cidade é esta que não para, não escuta, não olha?
Hoje acordei assim. Ao som de moto-serras. As poucas árvores que circundam a minha casa estavam a ser cortadas. Impiedosamente. Uma via-rápida está a ser construída. Ali, a poucos metros de minha casa, de tantas outras casas, de uma escola. Já o sabia. Já o sabíamos. Mas o que me mais me custou foi ver aquelas longas árvores cortadas, deitadas, profanadas. Silenciosas mas tão ruidosas!
Tão ruidosas que me apeteceu juntar o meu grito ao grito delas.
Mais pragmático procurei o numero amplamente divulgado do SOS Ambiente, 808200520. Liguei. Manifestei aquilo que me pareceu mais do que um atentado ambiental. Um desrespeito moral. A banalização da morte. Disseram-me que dentro de 2 meses me ligariam. Que me informariam dos resultados. Os resultados já eu vi. O "progresso" é infalível e imperturbável. Preciso fugir dele. Antes que ele, impiedosamente, tambem me corte as raízes.









