Quinta-feira, Julho 03, 2008

Que cidade é esta que nos corta as raízes sem piedade?

Que cidade é esta que acorda ao som de moto-serras?
Que cidade é esta que mata as poucas árvores que ainda têm?
Que cidade é esta que continua a brotar betão e alcatrão?
Que cidade é esta que não para, não escuta, não olha?

Hoje acordei assim. Ao som de moto-serras. As poucas árvores que circundam a minha casa estavam a ser cortadas. Impiedosamente. Uma via-rápida está a ser construída. Ali, a poucos metros de minha casa, de tantas outras casas, de uma escola. Já o sabia. Já o sabíamos. Mas o que me mais me custou foi ver aquelas longas árvores cortadas, deitadas, profanadas. Silenciosas mas tão ruidosas!
Tão ruidosas que me apeteceu juntar o meu grito ao grito delas.

Mais pragmático procurei o numero amplamente divulgado do SOS Ambiente, 808200520. Liguei. Manifestei aquilo que me pareceu mais do que um atentado ambiental. Um desrespeito moral. A banalização da morte. Disseram-me que dentro de 2 meses me ligariam. Que me informariam dos resultados. Os resultados já eu vi. O "progresso" é infalível e imperturbável. Preciso fugir dele. Antes que ele, impiedosamente, tambem me corte as raízes.

Quarta-feira, Julho 02, 2008

Eheh

Quarta-feira, Junho 04, 2008

Guerreiros do Arco-iris

"..à alguns anos os homens começaram a construir barcos de coração mecânico, mas um dia criaram o primeiro para proteger a nossa espécie.." diz uma baleia à sua cria.

Assim começa a historia do Rainbow Warrior (Guerreiro do Arco-iris), um livro ilustrado para que miúdos e graúdos saibam um pouco mais das aventuras do barco insígnia da Greenpeace.

A ideia deste projecto surgiu no momento em que um pai de família conta à sua filha todas as noites a historia do barco, cujo nome vem de uma profecia dos índios Cree.

A editorial Kalandra e a Greenpeace apresentam este livro certificado como "livro amigo das florestas" pois na sua elaboração é utilizado papel ambientalmente sustentável. O lançamento oficial do livro é feito hoje em Madrid.

O nome deste blog é também obviamente uma homenagem ao barco e a todos esses incansáveis guerreiros do arco-íris. Oxalá os índios Cree estejam certos. E quase sempre os índios estão certos.

Terça-feira, Maio 27, 2008

Chief Joseph.. hoje mais verdade que nunca


"Não são precisas muitas palavras para falar a verdade"

Quinta-feira, Maio 15, 2008

Um Lobo da escrita..

"Perguntas sobre perguntas acerca de mim mesmo e a angústia do sentido da vida e da forma como me relaciono com ela. O que posso fazer, o que devo fazer? Há um livro a sair agora, trabalho noutro: e depois? Que significa isso para mim? Os meus defeitos aparecem-me de forma muito clara e dolorosa. Não só os meus defeitos: as minhas insuficiências, os meus erros. Sempre imaginei que um livro resgatava tudo: não resgata. E no entanto continuo a escrever, como se esse acto contivesse em si a minha salvação. Sei bem que chegará um tempo em que apenas os livros hão-de contar porque eu, enquanto pessoa, não tenho importância alguma, às vezes nem para mim mesmo. Vou-me olhando de forma cada vez mais distanciada e sem indulgência. A impressão, melhor: a certeza de haver falhado. O quê? Não estou deprimido, não me sobra tempo para depressões, sou apenas um homem, diante do seu espelho interior, que não gosta do que vê. O que poderia ter feito? O que deveria ter feito? Esta permanente tortura que a gente disfarça. A ideia recorrente que aquilo, quer dizer que a única coisa que a vida nos dá é um certo conhecimento dela que chega tarde demais, sempre tarde demais. Grandes cães pretos que se entredevoram dentro de mim. Estas crónicas têm-se tornado, cada vez mais, um itinerário paralelo aos livros. Do ponto de vista da Arte recebi muito mais do que poderia ter desejado e no entanto trago as mãos vazias. Agora dei duas entrevistas, coisa que nunca deveria ter feito. Não ponho em causa a competência ou a honestidade dos jornalistas mas não me revejo em nada daquilo. Não sou assim e não sou capaz de exprimir o que sou. Os livros falam muito melhor do que eu.

O que aparece nos jornais é um estranho e até as fotografias são mentira porque não me pareço comigo. Acho-me cansado desses jogos. Apetece-me desaparecer atrás das palavras, ser de facto o ninguém que sou: um nome apenas, numa capa. E deixar o resto para mim, dado que não tem nenhuma importância colectiva.

Agora é manhã e está sol. Nenhum ruído à minha volta. Se eu pudesse passar a vida a limpo, como diz o Drummond, corrigia quase tudo. Que pena não podermos emendar os dias, o que fizemos, o que somos. Um demónio qualquer distorceu-me tudo ou fui eu quem distorceu tudo? Acabando esta crónica retomo a correcção do livro na esperança de, ao emendá-lo, emendar-me. Fui sempre honesto a escrever. E nas outras coisas?(..)".

António Lobo Antunes

Quinta-feira, Maio 08, 2008

Assim te vejo..

De contrastes.
De belezas distintas que acompanham os momentos.
Feita de diferenças.
Feita de uniões
de delicadezas e brusquidões.
De silêncios e de ruídos.
De ausências e de sorrisos.
Nem sempre presente,
nem sempre distante.
Ora selvagem
ora rural
Ora deserta
ora social.
Gélida e fogosa
Colorida e desbotada
nunca perdida nunca encontrada.
Bella.

Assim te vejo. Assim vejo a Sardenha.

Domingo, Abril 27, 2008

De viagem..


"as melhores viagens são aquelas em que nos reinventamos a nós próprios e ao resto do mundo".

É o que espero fazer na próxima semana.

Quinta-feira, Abril 10, 2008

Críticos gatos..


"Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, e fez o crítico à semelhança do gato.
Ao crítico deu ele, como ao gato, a graça ondulosa e o assopro, o ronron e a garra, a língua espinhosa e a calinerie.
Fe-lo nervoso e ágil, reflectido e preguiçoso; artista até ao requinte, sarcasta até à tortura, e para os amigos bom rapaz, desconfiado para os indiferentes, e terrível com agressores e adversários. - Um pouco lambareiro talvez perante as coisas belas, e um quase nada céptico perante as coisas consagradas; achando a quase todos os deuses pés de barro, ventre de gibóia a quase todos os homens, e a quase todos os tribunais portas travessas - amigo de fazer judiarias com a primeira bola de papel que alguém lhe atire, ou seja um poema, ou seja um tratado, ou seja um código - Paciente em aguardar, manso e apagado, com um ar de mistério, horas e horas, a sortida de um rato pelos intersticios de um tapume, e pelando-se, uma vez caçada a preza, por fazer da agonia de ela uma distracção; ora enrolando-a como um cigarro, entre as patinhas de veludo; ora fingindo que lhe concede a liberdade, e atirando-a ao ar, recebendo-a entre os dentes, roçando-se por ela e moendo-a, até a deixar num picado ou num frangalho".
Fialho de Almeida, Os Gatos

Sexta-feira, Março 28, 2008

Uivos de Loba..


Terça-feira, Março 11, 2008

Se procura um amigo..

encontre-o aqui!

Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008

Quando se morre a viver

Christopher McCandless, 22 anos, abandonou a civilização, doou os 25 mil dólares do seu saldo bancário para fins de caridade, mudou de identidade e lançou-se numa viagem, na aventura da sua vida. Não regressou.

A História ainda hoje comove muita gente e lança discussões e opiniões bem diversas. Chris, abdicou do que muitos chamam de um futuro risonho. Quebrou os laços que o mantinham ligado a uma sociedade com a qual não se identificava. Queria conhecer o Alaska. Queria saber o que era ser livre.

Acabou por perecer num autocarro abandonado perto do parque nacional Denali. Terá morrido à fome. Até esse momento teve uma viagem onde conheceu sítios, pessoas, sensações, que com certeza não conheceria no tal "futuro risonho".

Lendo os seus relatos e os testemunhos com quem se foi cruzando na sua viagem Chris foi aquilo que sempre desejou, genuíno. E aquilo que sempre procurou.. livre.

Não posso julgá-lo. Quantos de nós já fomos verdadeiramente livres?
O preço foi alto? Não sei.

Passagem de uma carta ao seu "avô" Ron:

"Há tantas pessoas que vivem infelizes e que no entanto não tomam a iniciativa de alterar a sua situação porque ficam condicionadas a uma vida de segurança, conformismo e conservadorismo.
Tudo isto pode parecer conferir-lhes paz de espírito. No entanto, na realidade, nada é mais prejudicial para um espírito aventureiro no interior de um homem do que um futuro seguro.
O principio basico do espírito livre de um homem é a sua paixão pela aventura. A alegria de viver provém dos nossos encontros com novas experiências, e por isso não existe maior prazer do que ter um horizonte em eterna mudança, para cada dia ter um sol novo e diferente."

Sexta-feira, Fevereiro 22, 2008

Crescer para quê?

video

Terça-feira, Fevereiro 19, 2008

Quando a amizade suporta o amor..

"Petita" é uma elefanta que presentemente habita o parque natural "Terra Natura" em Benidorm.

Desde sempre muito magra, tem os ossos da mandíbula e órbita craniana muito demarcados.
Aos 34 anos é aparentemente igual às 12 fêmeas que a rodeiam. Mas não é assim.

O peso médio de um elefante é de cerca de 4 toneladas e Petita tem aproximadamente 2,9 toneladas. Isto foi factor determinante para ser marginalizada por quase todo o grupo. Machos incluídos, pois segundo um dos biólogos do parque, Daniel Sánchez "os machos gostam de fêmeas fortes, atléticas, complexas e com carácter".

Mas esta situação alterou-se quando se fez amiga de "Kaisoso", uma fêmea proveniente da Birmãnia que procurou pouco a pouco a integração de Petita no grupo protegendo-a inclusive em situações de conflito.
O seu empenho permitiu que "Luka" um macho de cerca de 5 toneladas "esbelto e de patas largas" começa-se a rondar Petita na época do cio.

O parque celebrou entretanto esta aceitação com uma cerimónia em que foram lançadas pétalas de rosas ao casal, bem como anéis simbólicos feitos com frutas frescas e figos..um manjar muito apreciado pelos elefantes. Não faltaram ainda frases como "vivam os noivos" e pedidos para que se beijassem.
René Figueroa foi o sacerdote que benzeu a união. Diz que foi a primeira vez que oficializou uma cerimónia deste tipo mas que quando soube da história e que os elefantes se encontram ameaçados de extinção não duvidou.

"Ás vezes os animais dão-nos lições de convivência e de aceitação e aqui temos um exemplo vivo disso" disse o religioso.
Acertadamente digo eu.

Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008

Oração..

"Puma.. rei e líder de formas felinas e suaves. Toque meu coração com sua coragem e só depois faça soar o alerta. Que eu possa liderar com sabedoria, brilho, verdade e justiça. Que eu possa imitar o espírito da força que vejo em você"

Do livro "Cartas Xamânicas "A Descoberta do Poder Através da Energia dos Animais"
Jamie Sams e David Carson

Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

No teu refúgio..