sexta-feira, janeiro 20, 2006

A ave que habita o céu..

Estas grandes aves brancas e negras, de asas pontiagudas foram baptizadas pelos marinheiros portugueses que primeiro se aventuraram nos mares da costa africana, de alcatrazes, sendo mais tarde corrompido o seu nome pelos marinheiros ingleses para albatrozes.
Nesses tempos era considerada uma ave de mau agouro, a encarnação de marinheiros afogados. Tal superstição não os protegeu das perseguições, pois muitos os capturavam para aliviar a monotonia das refeições nestas viagens marítimas.
Habitam zonas entre a Antárctica e as extremidades sul da América, África e Austrália, zonas ventosas, adequadas ao voo planado destas aves. Estudos realizados com a ajuda de vigilância por satélite mostram que este animal pode percorrer entre 3600 e 15000 Km, voando a velocidades de até 80 Km/hora, numa única viagem. Uma das principais causas da sua morte não natural é o afogamento, após ficarem presos em anzóis de pesca de atum de linha longa e redes perdidas ou abandonadas em alto mar. As alterações climáticas e a poluição são igualmente preocupações quanto à conservação desta ave que pode viver até 40 anos.
Os ultimos censos apontam para que restem 1500 casais reprodutores por ano. Através do seu apurado olfacto, localizam os seus locais de nidificação, fontes de alimento e umas às outras. O grosso da sua alimentação consiste em peixe, lulas e crustáceos, geralmente capturados à superfície durante a noite. São capazes de armazenar grande quantidade de óleo no estômago, derivado da sua alimentação rica de organismos marinhos, que é regurgitado para alimentar as crias ou ejectado para afugentar predadores.
Os albatrozes representam o expoente máximo do voo planado, podendo planar durante horas, sem um único bater de asa. Apenas regressam a terra firme para se reproduzir, o que será uma vez a cada 2 anos. Escolhem um parceiro para toda a vida e apenas procurarão novo parceiro se a procriação falhar várias vezes seguidas ou se um dos parceiros morrer.


Foto de cria de Albatroz.
Do alimento regurgitado para a boca da cria deveriam naturalmente constar lulas, peixes e ovas.
O estômago desta cria continha isqueiros, cartuchos de espingarda, molas de roupa, plásticos...


"Para ser pássaro há que ser rasteiro
agarrado ao chão em tempos ancestrais
Para voar, o homem tem que ter os pés
assentes na terra, na água, nos troncos, no chão
e procurar nas origens as asas que o elevam"

"Noites de Poesia em Vermoim" por Lique


7 Comentários:

Blogger Bitta disse...

Sempre que posso, gosto de passar por aqui, a ambiente não é muito o alvo do meu blog mas é alvo das minhas preocupações como ser humano. Gostei muito deste texto também, mas adorei o poema final... guardei-o nos meus documentos para ir pensando nele!

Bom fim-de-semana!

8:39 da tarde  
Blogger Desambientado disse...

As tuas preocupações são de louvar e a escolha do poema de elogiar.

Um abraço.

11:48 da tarde  
Blogger Fátima Silva disse...

Adorei o tema e cá estive para aprender contigo. A imagem é lindíssima e por momentos também planei, um privilégio...
o poema convida ao recolhimento, ao sentido da vida, muitas vezes esquecida.

2:55 da manhã  
Blogger Jorge Moreira disse...

Muito agradável este teu recanto.
Grande Abraço,

1:23 da manhã  
Blogger Mar disse...

Ola guerreiro do arco-iris... eu também queria ser um albatroz....//

1:48 da tarde  
Blogger Águas da Vida disse...

Obrigada pela sua visita no aguas da vida, volte mais vezes. parabens pelo seu belissimo post adorei!
Big Kiss.

5:21 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Ter asas e não poder voar, ter consciência e não a usar, ter inteligencia e a desprezar..é muito triste.
Sempre admirei muito o Condor porque consegue planar durante muito tempo ao sabor do vento e sem mexer as asas, desde que não tenha isqueiros, pedaços metálicos de todo o tipo e outras coisinhas dentro do estômago!! Nós não voamos mas destruir é connosco.
Mas que raio de sentido de Vida é este?!!
Teixas said and Teixas cryed!

12:16 da tarde  

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